31 agosto 2007

Crise de identidade

Percebi que tem algumas pessoas que comentam blogoseira afora e se assinam simplesmente "Elton", como eu faço.

Para evitar confusões, passo a assinar "Chapado", que diz muito mais sobre minha pessoa.

30 agosto 2007

A velha hipocrisia dos moralistas

Uma matéria da Economist sobre a redução do apoio à pena de morte nos EUA trás a seguinte informação:


Capital punishment is hardly controversial in Texas. Nearly three-quarters of Texans approve of it. In June the governor signed a law that would make some people who rape children eligible for it. But Texas is special. It now accounts for nearly half of all executions in America, of which there have been over 1,000 since 1976. During the six years in which George Bush was governor, the state put 152 people to death. No other governor in America's recent history except his successor, Rick Perry, has overseen so many executions.


E ele tem coragem de dizer que pesquisa com célula tronco é imoral ou antiético. O Hermenauta é que está certo:


Um conservador é alguém para quem a vida começa na concepção e acaba no nascimento.

Software Livre III - Open-Source

Os softwares livres se baseiam em um novo conceito de copyright onde a cópia é permitida gratuitamente desde que se mantenham os créditos aos criadores, créditos e não royalties. Ou seja, o que é criado pode ser utilizado e modificado livremente sem custos. Isto é conhecido como open-source ou copyleft, e quem estiver lendo as últimas publicações sabe como esta estratégia vem se popularizando na produção de softwares.

Nos últimos anos esta idéia de código livre tem se expandido para outras áreas, sempre com a ajuda da internet. Creio que a maioria dos internautas já está familiarizada com o Wikipedia. O principio é o mesmo, mas o objetivo é uma enciclopédia gratuita e editável por qualquer pessoa. Talvez possa ser um pouco decepcionante navegar na versão em português, creio que pelo pequeno número de colaboradores alguns textos ainda são bastante fracos. Recomendo o acesso à versão em inglês.

Outro exemplo é a arquitetura livre utilizada pelo projeto Architecture for Humanity. Utilizando a mesma idéia de código livre, arquitetos de todo o mundo ajudam a desenvolver soluções voltados para os mais necessitados, sejam as vitimas de catástrofes naturais, guerras ou das mazelas do mundo subdesenvolvido.

E se este conceito fosse utilizado para o desenvolvimento de remédios? Um grande número de pesquisadores gerando dados e experiências, imediatamente e gratuitamente compartilhando as informações. Poderia ser semelhante ao projeto de arquitetura, focando nas doenças que mais afligem os países pobres e não são financeiramente interessantes para os grandes laboratórios.

Acho que a tendência vai ser a extinção de royalties e copyright, mas até lá teremos um longo caminho. Comecemos aos poucos.

29 agosto 2007

Software Livre II

Interessante que na área de informática sempre existiu a idéia de que software não deveria ser pago, por não ser físico não deve ter valor. O pessoal da IBM deveria pensar algo similar quando se reuniu com Bill Gates e lhe entregou o mercado de sistemas operacionais. Na internet ocorre o mesmo, não é muito popular o pagamento por conteúdo virtual.

Esta mesma idéia vem destruindo o mercado da música. Atente que há uma grande diferença entre música e mercado da música, sendo que só o segundo esta perdendo. Uma maioria sempre esteve disposta a pagar por discos de plástico, mas não apenas pelo conteúdo musical como no caso do mp3. As gravadoras se debatem, mas provavelmente não conseguirão se manter. Num futuro próximo devem surgir mais bandas independentes, divulgam a música com mp3, clipes no you tube e ganham dinheiro é com show mesmo.

Com softwares creio que a tendência é a mesma. A internet possibilitou que programadores trabalhassem juntos utilizando seu horário de lazer em projetos sem proprietário e sem objetivos financeiros. Conforme a internet se populariza, surgem mais programadores conectados, e uma pequena porcentagem destes passa a colaborar com este tipo de trabalho. Como a rede já chega a centenas de milhões, esta pequena porcentagem gera um exército de programadores maior que o de qualquer empresa privada. Todos gerando código sem cobrar por nada.

A qualidade destes códigos é excelente, muitas vezes superando softwares proprietários. Correções são feitas mais rapidamente e sugestões de usuários são adicionadas com mais facilidade. Ainda teremos que conviver com softwares domésticos pagos por um tempo, mas apenas porque as pessoas ainda estão acostumadas com o padrão destes.

Antes que eu me esqueça:Suspenso pregão da Receita para compra de R$ 40 milhões em Office

28 agosto 2007

Software Livre

Alguns anos atrás o governo passou a incentivar o uso de sotware livre em seus órgãos, mas agora a
Receita Federal quer gastar 40 milhões comprando MS Office. O texto do atalho rebate os argumentos utilizados para optar por este pacote e ainda cita algumas vantagens de uma solução em código aberto, BrOffice no caso.

Um consumidor tem o direito de adquirir produtos da marca que preferir, por mais besta que seja o motivo. Já quando o governo gasta dinheiro não tem este mesmo privilégio, pois todo o povo arca com os custos. Tem sempre que buscar a solução mais barata que atenda seus requisitos. Sem excelentes motivos não pode optar por uma marca mais cara. No caso a opção tem que ser feita entre um software gratuito e um bastante caro, sendo que escolheram jogar dinheiro público para os bolsos do Bill Gates sem qualquer justificativa.

Alegam que os usuários estão habituados com o MS Office. Verdade, mas com a versão antiga que se assemelha mais ao BrOffice do que a versão que se pretende adquirir. Integração com sistemas? Acredito que caiam no mesmo problema das versões, sendo que com menos de 40 milhões seria possível alterar tais sistemas. Além disto a Receita já possui diversas licenças de MS Office, que podem ser utilizadas em um período de transição.

18 agosto 2007

Ilusões de ótica III

Há cerca de uns três dias, reabilitei o SiteMeter que faz as estatísticas de visitas do blog.
Nestes dias o post que, de longe, recebeu o maior número de visitas é o chamado Ilusões de Ótica, com 20 views na frente do segundo colocado, nada mais, nada menos que Ilusões de Ótica II.

Confira aqui o ranking do SiteMeter.

Pois bem, resolvi fazer uma experiência, criar este post "cata-corno google". Com tags, com uma imagem intrigante:
Com link para uma das melhores páginas de ilusão de ótica que conheço.

Gnorante, sinta-se à vontade para atualizar este post ao seu bel prazer. Façamos dele o post mais visitado deste josta, pelo Bem da ciência bloguística. E vocês sabem como eu respeito a ciência, aliás, a ciência dá explicações para ilusões de ótica. Eu tive que escrever isto.

E, já que enveredei pelo caminho sem volta das expressões desonestamente construídas para atrair visitantes, deixe-me cometer mais uma, com licença: optical illusions.

Que boferinha este "Cansei"

Francamente, mas que bufa sem cheiro foi este Cansei.

Primeiro, foi ridicularizado à direita e à esquerda. Até o Jô, insuspeito de lulismo, ridicularizou a patota.

Então a OAB-RJ denunciou o golpismo do movimento e a OAB nacional decidiu não apoiá-lo.

Depois fizeram a campanha com as "quatro cavaleiras do apocalipse": a maior concentração de botox do planeta. Eita mulherada feia. A Ivete Sangalo deve estar realmente empolgada com movimento, parece estar fazendo até greve de fome. Outra coisa sobre a infeliz foto da infeliz peça publicitária com as infelizes senhoras: usar uma cabo-eleitoral do Paulo Maluf e uma puxa-saco do gângster ACM em uma campanha que, entre outras coisas, se diz contra a corrupção, é para matar a gente de rir. Este Nizan Guanaes só pode ser piadista, (duvido que seja burro).

Burro mesmo é o Zottolo, presidente nacional da Philips, que em entrevista ao Valor, na qual tentou recuperar sua imagem desgastada por se envolver com o Cansei, disse que se o Piauí sumisse ninguém ia sentir falta.

Olhe o resultado em Teresina:

No site da TV Cidade Verde há um vídeo desta manifestação com "espírito de piauiensidade". Deve ser a primeira vez que um repórter de TV enche a bola da União da Juventude Socialista.

A OAB-PI resolveu passar um pito no Sr. Zottolo.

Hoje, os "cansados" queriam fazer a "coisa" dentro da cadedral da Sé (era mais seguro, povo dá medo), o padre-zelador tinha deixado. Mas o arcebispo não sabia de nada e, quando soube, proibiu a palhaçada.

Foram obrigados a fazer do lado de fora.

Separam os VIPs (ou seria VTP, very tired person?) do resto da "gentalha" que, como diria o Figueiredo (do qual ninguém se cansou), não cheira tão bem quanto os cavalos. Deve ter sido idéia da Ivete, é assim que acontece nos carnavais em Salvador, os filhinhos de papai vão seguindo os trios elétricos e o povão, separado por cordas, vão pelo lado de fora, na "pipoca" (e aparentemente, não se cansam, nosso povo é mesmo manso demais).

Nisso de separar as convencidas celebridades do resto dos meros mortais acabaram deixando de fora da categoria Very Important Persons nada menos, vejam só, que os parentes da vítimas do acidente com o avião da TAM. A mãe de uma das vítimas disse "Fomos usados. Estávamos aqui para prestar uma homenagem às vítimas e nem isso conseguimos fazer".

Então chegou a hora de cantar o Hino Nacional. Estava programado para Agnaldo Rayol cantar com Ivete Sangalo, mas ela não sabe a letra e ele teve que cantar sozinho.

Os organizadores dizem que estavam lá 5.000 pessoas, a CET diz que eram 4.000, a PM fala em 2.000. Mesmo que tenha sido 5.000, esta quantidade de pessoas no centro de São Paulo é nada. Deve ter domingo de chuva com este mesmo tanto de gente no centro de São Paulo.

Parece que já se anuncia uma debandada do movimento que já não era muito cheio. A OAB-SP anunciou que a OAB-GO e a OAB-DF haviam aderido, mas eles não foram avisados.

Uma coisa que eu acho engraçada é isto do Urso da OAB-SP ficar repetindo que o movimento é apartidário, como se o movimento fosse se tornar realmente apartidário só em dizê-lo.

Apartidário é o caralho! (Fonte: Vi o mundo)

E outra prova de apartidarismo, do blog do Gustavo Petta:
Só trocaram o Alckmin pela Ivete.

Chega, que esta pequena farsa dos vagabundos endinheirados de SP não merece mais atenção que isto.

PS: Li em algum lugar que eles estava pagando R$19 por dia para os caras que estavam fazendo panfletagem (ou seja, de explorar o trabalho alheio eles não cansam). Mas não achei o link da notícia. Quem tiver, favor mandar.

14 agosto 2007

TED

TED, pelo que entendi, é uma conferência anual de idéias em que se apresentam destaques em áreas científicas, políticas etc. O evento ocorre há alguns anos e o mais interessante é que no sítio é possível assistir a várias palestras.

Dentre as poucas que assisti recomendo a do biólogo Aubrey de Grey, falando sobre o processo de envelhecimento, porque e como devemos impedi-lo.

10 agosto 2007

Acordei com uma idéia conservadora

Hoje acordei com um pensamento estranho, uma idéia pronta que não sei de onde surgiu. A diminuição da jornada de trabalho levaria ao caos.

O fim da jornada inglesa, 40h/5dias, faria com que a produção diminuísse drasticamente. Surgiria recessão reforçada a cada ciclo, a quebradeira das empresas aumentaria o desemprego e haveria falta de produtos essenciais. Mergulharíamos em uma idade de trevas, algo como uma idade média contemporânea que duraria alguns séculos.

Parei por um momento e resolvi raciocinar. A jornada seria reduzida gradativamente, permitindo que toda a economia se acomodasse após cada passo. O desemprego diminuiria, pessoas teriam mais tempo para o lazer ou outras atividades enobrecedoras. Com cidadãos mais felizes viria a redução de muitos problemas, creio por exemplo que o desejo de matar o próximo diminuiria.

Ufa! Achei que aquelas previsões de que ao envelhecer nos tornamos conservadores, a la Edukators, estivesse acontecendo comigo. Resolvi então escrever um pequeno guia:

Guia do que fazer quando surgir uma idéia conservadora?
1º Passo - Pense racionalmente.
2º Passo - Se a idéia persite retorne ao 1º Passo.

07 agosto 2007

Editoriais

Marco Aurélio Weissheimer, em um artigo chamado "O que os editoriais da Globo podem nos ensinar", menciona um editorial de O Globo, de 25 de maio deste ano:

Intitulado “Escolha de aliados”, o editorial “recomenda” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem devem ser seus aliados e quem estão proibidos de sê-lo.

...

Quem são os gatos colocados no mesmo saco: os manifestantes que ocuparam as instalações da hidrelétrica de Tucuruí, o MST e movimentos similares, os sindicalistas contrários à emenda 3 e os estudantes que ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo (USP). O editorial não economiza qualificativos para definir esses movimentos: terroristas, ultra-esquerdistas, inimigos da democracia, autoritários e populistas. Sem estabelecer qualquer distinção entre esses diferentes episódios, articula-os como uma suposta escalada autoritária que estaria ameaçando a Constituição e a democracia brasileira. E defende que o presidente Lula se afaste imediatamente desses antigos aliados e também dos “populistas” Evo Morales e Hugo Chávez.

...

O editorialista de O Globo escreveu: “Muitas dessas organizações que atentam contra a ordem constituída se valem de antigas alianças com o PT e da proximidade do presidente, que, de forma temerária, já permitiu que uma bandeira do MST fosse desfraldada em seu gabinete, enquanto ostentava um chapéu do movimento como se fosse um dos militantes que desrespeitam a lei ao invadir propriedades privadas e depredar instalações de empresas. Espera-se que, assim como Lula parece ter entendido o que de fato representa para o país em ameaças a ação deletéria dos populistas Hugo Chávez e Evo Morales no continente, também compreenda que, para levar adiante o projeto de colocar o Brasil num longo ciclo de crescimento sustentado, terá de abandonar pela estrada antigos aliados, beneficiários de todo um arcabouço de normas e leis feitas para transferir dinheiro público para minorias privilegiadas”.
Grifos meus. Diga aí se não dá vontade de enfiar uma muquecada nas fuças do sujeitinho que escreveu estas merdas. Compare com editorial de 1964, da postagem anterior. Não mudaram nada.