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13 julho 2007

Boquete conservador

Publicado Na Periferia do Império segue trecho:
Bob Allen, congressista pelo Estado da Florida e co-presidente da campanha do senador republicano John McCain para presidente dos EUA, foi detido sob a acusação de solicitar sexo oral a um policial disfarçado.
...
Bob Allen é político católico extremamente conservador e autor de uma lei (que foi derrubada) que o enquadraria em crime, pois uma medida (nº1475) que ele propôs tipifica como ilegal a masturbação na presença de um adulto, consensual ou não.

No fim não entendi se ele estava se masturbando, mas acho que não influi muito no fato.

Me pergunto se um sujeito destes se considera um doente e reza para que deus lhe salve do homossexualismo. Talvez nem sinta atração por homens mas pelo que considera uma perversão. Pode ser que tenha tentado aprovar a supracitada medida só para tornar o ato mais prazeroso. Felizmente nunca serei um católico conservador para saber.

14 maio 2007

Justificação e apologia de um crime

"A utopia de voltar a dar vida às religiões pré-colombianas, separando-as de cristo e da igreja universal, não seria um progresso, mas sim um retrocesso. A sabedoria dos povos originais os levou afortunadamente a formar uma síntese entre suas culturas e a fé cristã que os missionários os ofereciam. Dali nasceu uma rica e profunda religiosidade popular, na qual aparece a alma dos povos latino-americanos (...) Tudo isso forma um grande mosaico de religiosidade popular que é um precioso tesouro da igreja católica na América Latina e que ela deve proteger, promover e se for necessário, purificar"
- Coração Gelado Ratzinger, dando a entender que faria tudo igual

Disse, também, que não houve imposição da fé católica ao índios. Ratzinger é como os neo-nazistas que negam o holocausto. Espero ansioso o momento em que dirá que as "bruxas" da época de ouro da Igreja confessavam voluntariamente seus pecados e subiam às fogueiras motivadas unicamente pelo arrependimento.

Ratzinger, o incoerente

Em seu último discurso no Brasil, o sr. Ratzinger falou bastante sobre questões políticas. Criticou a atuação do Estado ao incentivar o uso de contraceptivos. Criticou os países que, segundo ele, possuem formas de governo "sujeitas a certas ideologias que se acreditavam superadas e que não correspondem à visão cristã do homem e da sociedade, como ensina a doutrina social da Igreja".

Terminou o discurso político dizendo que política não é assunto da Igreja. Estava pensando, evidentemente, apenas na Teologia da Libertação, aqueles padres que levam a sério o que o evangelho prega acerca dos pobres e dos ricos e trabalham para que os miseráveis tenham um vida menos ruim. Aparentemente o evangelho não está de acordo com o prega a doutrina social da Igreja (e se levarmos em consideração o que foi a Europa quando a Igreja realmente dava as cartas por lá, não está mesmo).

Lembremos que o Estado do Vaticano é uma monarquia absolutista. Certamente não está sujeito a certas ideologias ultrapassadas, segundo o Papa.

Se a Glória da Oliva realmente achasse que a Igreja não deve se meter em política, começar ia calando a boca sobre estes assuntos. Lembrou-me Josemaria Escriva, o fundador da Opus Dei (que é uma prelazia da Igreja Católica, podendo, inclusive, nomear padres). Escriva e a Opus Dei sempre tiveram uma atuação fortemente política. Elogiava Hitler (juntos contra o comunismo e o judaismo, dizia) e 8 ministros de Franco foram membros da Obra. Ao viajar pela América Latina e ao perceber que a Igreja destas bandas tinha maiores preocupações sociais e uma orientação política bem diferente da que havia na Europa, Escriva começou a discursar que a Igreja e os cléricos não deveriam se meter em política. Sei...

Em certo momento o Papa criticou a "desgraça da mentalidade machista". Muito coerente, vindo do líder supremo de uma religião em que as mulheres não podem ministrar missas, ou serem bispas, muito menos papisas. Conta outra velho Ratzinger, que esta não colou.

E falou, evidentemente, sobre o aborto. Já notaram como a Igreja adora falar em aborto e eutanásia, mas não dá muita atenção à pena-de-morte? Será que é por ter se valido dela durante os "bons tempos" em que podia queimar meninas adolescentes vivas em praças públicas, sem ninguém lhes encher o santo saco? Saudades destes tempos, não é Ratz?

Ratzinger foi coerente como o Bush, que proibe pesquisa com célula-tronco, mas não moveu um dedinho para salvar a vida de nenhum condenado à morte.

As professias de São Malaquias dizem que este é o penúltimo papa (depois a Igreja acaba). Se continuar deste jeito, não tenho porque duvidar. E vai tarde.

10 janeiro 2007

Jesus Camp

Na Folha, descoberto via Duvido:

Filme polêmico mostra "exército" de crianças cristãs nos EUA

EDUARDO SIMÕES
da Folha de S.Paulo


Um grupo de crianças estende os braços em direção a uma imagem em tamanho natural de George W. Bush. A "adoração", na verdade uma oração para o "líder", não faz parte de um episódio de "South Park" satirizando o presidente norte-americano. É a realidade de meninos e meninas, com idade a partir de 6 anos, que freqüentam um insólito acampamento de verão nos EUA. Lá, rezam, choram e gritam, entre outras coisas, contra o aborto.

Revelado no documentário "Jesus Camp", em cartaz nos EUA desde o início de outubro, o acampamento Kids on Fire [crianças em chamas], em Devil's Lake, Dakota do Norte, ensina crianças a se tornarem "soldados do exército de Deus". Numa das cenas mais impressionantes, elas aparecem vestindo roupas semelhantes a uniformes do exército, com pintura de camuflagem no rosto, dançando com espadas de madeira, ao som de um "heavy metal cristão", segundo definição do jornal "The New York Times".

Nenhum dos personagens retratados no documentário se mostrou, até agora, insatisfeito com o resultado ou repercussões do filme. Salvo o ex-presidente da Associação Nacional de Evangélicos, Ted Haggard, que colocou um comunicado no site da instituição acusando o documentário de "manipular os fatos" como faria Michael Moore, e comparando a câmera do documentário à do filme de terror "A Bruxa de Blair".

Haggard, ferrenho oponente do casamento gay e conhecido como conselheiro de Bush, foi afastado na semana passada da associação, depois de ser acusado de ter pago, durante três anos, para fazer sexo com um garoto de programa, de quem também teria comprado anfetaminas. Após seu afastamento, o pastor enviou um pedido de desculpas à associação, numa carta em que se disse "culpado de imoralidade sexual".

É Tudo Verdade

O crítico de cinema Amir Labaki, diretor do É Tudo Verdade, pretende trazer o documentário para a edição de 2007 do festival paulista. Por enquanto, é possível ver trailers no YouTube (www.youtube.com).

Relativamente bem-sucedido nos cinemas americanos, com uma renda que já passa de US$ 600 mil (quase R$ 1,3 milhão), o documentário narra a rotina, no acampamento, de três seguidores da teologia do cristão renascido --Rachel (9), Tory (10) e Levi (12)-- e de Becky Fischer, pastora que ensina ao seu rebanho infantil que o aquecimento global é um mito da ciência. E que Harry Potter é discípulo do demônio.

Fischer, que faz seus pupilos carregarem fetos de plástico em manifestações contra o aborto, afirma ainda que o Kids on Fire é uma versão "anódina" de instituições similares no mundo islâmico, onde crianças seriam treinadas para se tornar homens e mulheres-bomba.

Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Tribeca, "Jesus Camp" foi dirigido por Heidi Ewing e Rachel Grady, cujo documentário anterior, "The Boys of Baraka", acompanhou Devon Brown, pastor de uma igreja de Baltimore. Com o novo filme, as diretoras queriam ampliar a discussão do primeiro, falando não só da devoção de crianças mas também da relação entre religião e política nos EUA.

A imprensa americana considerou o filme um retrato contundente do fundamentalismo pentecostal nos EUA e de sua perigosa ingerência na política do país. Grady ressaltou numa entrevista que os "evangélicos não estão fazendo nada ilegal". Na verdade, estariam "abraçando e utilizando a democracia em todo seu potencial".

Em entrevista à Folha, Ewing também relativiza.

"Acho que o filme só é assustador para aqueles que já têm uma noção preconcebida ou impressão negativa dos evangélicos. Nós [diretoras] ficamos impressionadas com a seriedade com que as crianças tratam sua devoção e o quanto ela significa para elas. As crianças nunca pareciam entediadas no acampamento, simplesmente queriam mais e mais", diz Ewing, que defende a imparcialidade de seu filme.

Olhar imparcial

"Como documentarista, você deve ser capaz de separar sentimentos pessoais do assunto e tentar ao máximo entender o mundo da perspectiva dos personagens do filme. Uma vez que passamos pelo choque inicial de ver as crianças tão emocionadas durante as missas e atividades, fomos capazes de focar nossa atenção nelas, em seus pais e seus objetivos."

Ewing, que é católica, e Grady, que é judia, evitaram tomar partido. Mas não abriram mão de adicionar conflito à medida que viram seu filme correr o risco de virar um vídeo institucional do Kids on Fire.

A dissensão veio na voz de Mike Papantonio, apresentador de um programa de rádio cristão. Para ele, a educação das crianças do acampamento está, sim, ultrapassando os limites entre Igreja e Estado.

Papantonio também se preocupa com a agressividade que exala das imagens. Numa entrevista com Fischer, ele diz: "Você pode dizer qualquer coisa a uma criança. Pode transformá-la num soldado que carrega uma metralhadora".