13 novembro 2008

Direito a greve da polícia civil paulista

O ministro do STF Eros Grau, provocado pelo Estado de São Paulo, decidiu que todos os policiais paulistas em greve devem retomar suas atividades. Uma decisão anterior estabelecia um percentual mínimo de 80% dos policiais em serviço.

O direito a greve é garantido pela constituição para todas as categorias não militares, porém depende de uma lei nunca editada para regulamentar este direito. Recentemente o mesmo STF julgou que na ausência de tal lei aplica-se as mesmas regras do trabalho privado, aquelas da CLT.

Considerando a CLT, é permitida a greve desde que não prejudique serviços essenciais, sendo considerado essencial aquele que passado o tempo apropriado de execução não pode ser reposto sem prejuízos para a população. Algumas atividades policiais se enquadram nesta categoria de serviços, como o registro de BOs e perícias. Outras atividades não, como por exemplo os trabalhos investigativos.

Com certa inventividade pode-se argumentar que determinadas investigações são prejudicadas por eventos temporais, mas também podemos pensar situações em que seriam beneficiadas. No meu entendimento deve haver um prejuízo líquido e certo para determinar um serviço como essencial ou nenhuma categoria poderia fazer greve.

A manutenção das atividades essenciais deveria indicar a porcentagem de funcionários que devem continuar trabalhando, imagino que os 80% definidos anteriormente seria mais do que suficiente. Da maneira como fez, o judiciário legislou no vácuo deixado pelo poder responsável, indo contra suas próprias decisões anteriores e contra a constituição que deveria guardar.

06 setembro 2008

Morre um dos meus heróis


Fausto Wolff - escritor, jornalista e comunista - morreu. E é claro, com ele morre também o impagável colunista social Nataniel Jebão.


22 agosto 2008

Julgando um livro pela capa

A capa acima é do livro Quem Somos Nós e hoje vou julgá-lo pela capa, mais precisamente pela forma como o título do livro foi escrito na capa utilizando letras gregas.
Usaram μ como se fosse 'u', mas o mi tem som de 'm';
Σ como 'E', mas o sigma (maiúsculo) tem som de 's';
θ como 'o', mas o teta tem som de 'th';
σ como 'o', mas o sigma (minúsculo) tem som de 's';
π como 'n', mas o pi tem som de 'p';
ζ como 's', mas o zeta tem som de 'sd'.

Erraram todas as letras. É isto que fazem neste livro, tentam se passar por entendidos em um assunto através de um conjunto visual atrativo. Podem até ser bem sucedidos com os completamente leigos, mas basta um mínimo de conhecimento para que o leitor perceba o truque e veja que além das aparências não há nada que se sustenta, seja com as “letras gregas” da capa, ou com a “física quântica” do interior.

13 agosto 2008

Guerra virtual

Reportagem do NYT, Before the Gunfire, Cyberattacks , ou sua tradução no UOL para assinantes, Ataque no ciberespaço precedeu invasão russa à Geórgia, relata os ataques a serviços de Internet que precederam a entrada dos tanques russos na Geórgia. Como principal resultado as páginas governamentais ficaram fora do ar, nada muito preocupante, porém seria muito pior em um país mais dependente de serviços de Internet, como no caso dos ataques virtuais sofridos pela Estônia, felizmente não seguidos pela versão física.

A tendência é que todos os tipos de serviços migrem para a Internet, aumentando a sensibilidade a este tipo de ataque e o desejo dos militares de nele se especializarem. Podemos considerá-lo como uma forma de terrorismo, uma vez que visam indistintamente civis e militares. Sendo os últimos provavelmente melhor preparados para se defenderem, podemos até mesmo dizer que visam exclusivamente a população civil. Claro que seria uma forma mais branda, pois dificilmente chegará a causar mortes, apenas desinformação e prejuízos em tempo ou dinheiro.

Uma das características que torna estes ataques muito atrativos é o seu baixíssimo custo, estimado na reportagem em U$0,04/computador, não fica explicito mas imagino que é por computador cooptado para participar do ataque. Some este custo à impossibilidade de causar vítimas fatais e não parecem haver motivos para que um país não utilize destes meios antes de uma invasão ou como forma de retaliação. Mas também fica aberta uma nova possibilidade, a organização de ataques por grupos supra-nacionais unidos em torno de um motivo qualquer.

Se por exemplo, os Estados Unidos resolvem atacar o Irã sem qualquer justificativa, o tradicional “nós queremos os recursos naturais, mas vamos dizer que é por causa de armas de destruição em massa”, além dos tradicionais protestos de rua, grupos pacifistas do mundo todo poderiam se unir em um maciço ataque DDoS. Se a Rússia resolve tomar o poder na Geórgia, DDoS neles.

Parece-me que no caso da guerra virtual, como tudo que a internet toca, ocorre uma descentralização de poder. O recurso de lançar guerras, antes restrito ao Estado, vai se diluindo conforme estas adentram o território da rede mundial. Apenas me pergunto se algum grupo, como por exemplo os pacifistas, seria suficientemente organizado para coordenar as ações ou, como nos casos da Geórgia e Estônia, seria necessário algum tipo de gerenciamento central por um governo que exerça algum tipo de controle sobre grupos de hackers.


30 março 2008

Defesa racional de um vegetarianismo moderado

Tenho visto cada vez mais notícias de um aumento global do preço dos alimentos, como exemplo recente: High Rice Cost Creating Fear do NYT, ou em sua tradução para os com UOL Preço em ascensão do arroz provoca temor de distúrbios na Ásia.

No caso do arroz o consumo já é maior que a produção há alguns anos, o que reduziu as reservas de segurança do grão. Os preços começaram a subir, países reduziram a quantidade exportada do produto para garantir o abastecimento interno, o que faz os preços subirem mais, prejudicando os importadores que precisarão de uma maior porcentagem do PIB para comida se conseguirem encontrar quem venda. Saem prejudicados os países mais pobres, já sendo reportados conflitos por comida em alguns da África.

Este movimento não é exclusividade do arroz, ocorrendo para outros tipos de grãos. São apontadas algumas causas, além de fatores climáticos e pragas habituais, temos a produção de bio-combustíveis e o aumento do consumo provocado pela ascensão social na China, Índia entre outros. A questão dos bio-combustíveis já tinha sido apontada pelo Fidel Castro algum tempo atrás, ao destinar terras ou grãos para a produção de álcool temos menos grãos para alimentação. Este fator só pode ser contornado pela descoberta de novas fontes energéticas, que não podemos contar como certo, ou na redução do consumo, mas não quero focar a discussão nisto por ser um tópico corriqueiro.

A ascensão social na China, Índia e outros países em desenvolvimento, permitiu um grande incremento no consumo. Certo, mas estas pessoas não comiam antes? Sim, mas agora comem mais carne. A quantidade de alimento dado para uma vaca, é capaz de alimentar mais pessoas do que a própria vaca. Isto ocorre pois a vaca cresceu, andou, cagou e gastou energia para fazer tudo isto, sendo comida fornecerá apenas 10% da energia que seria fornecida por tudo que ela comeu em vida. Ou seja, podemos alimentar 10 pessoas ou apenas 1 com a mesma área de plantio. Talvez com técnicas de confinamento do rebanho esta porcentagem melhore, mas sempre haverá uma perda considerável.

Em termos de biologia, ao comer mato ao invés de carne, descemos um nível trófico na cadeia alimentar. Quanto mais baixo o nível trófico maior a quantidade de energia. Se quisermos alimentar todo mundo do planeta com carne vai ser bom arrumar alguns planetas a mais, ou podemos já derrubar a floresta amazônica para plantar ração bovina. A alternativa racional seria não comer carne, ou praticar um vegetarianismo moderado, apenas reduzindo a quantidade de carne consumida.

Infelizmente os vegetarianos que existem tentam nos convencer com argumentos do tipo "coitadinha da vaquinha", eu prefiro este: coitadinha da criança que morre de fome. Para aumentar o apelo, tomo emprestado uma imagem do blog Cambalache.

19 março 2008

IG demite Paulo Henrique Amorim

O jornalista Paulo Henrique Amorim teve seu contrato com o IG rescindido e sua página, Conversa Afiada, retirada do ar no mesmo momento. Não houve prazo para uma mudança de endereço, não permitiram um redirecionamento para o novo endereço, até porque o mesmo ainda não existia, e todo o arquivo da página simplesmente foi tirado do ar.

Não que eu fosse um leitor frequente, mas haviam muitos, tanto que a página estava em primeiro lugar do prêmio IBest na categoria Cidadania - Política. O ato é um desrespeito com o jornalista e todos os seus leitores. Utilize qualquer um dos atalhos para acessar a nova página do Paulo Henrique Amorim, que esperamos seja rapidamente assimilada pelo google.

Em solidariedade ao seu colega, Mino Carta também abandonou o portal. Só aguardamos a criação do novo endereço para divulgar aqui o novo blog do Mino. Resta saber se o sítio da Carta Capital, recentemente reformulado, será mantido.

14 março 2008

PicLens para Firefox


Esta é uma imagem do complemento PicLens para Firefox, sendo utilizado para navegar pelas fotos no Flicker do Fortes. O efeito visual é bacana e a interface melhor do que qualquer das páginas suportadas. Possui uma busca embutida no canto superior direito e capacidade de fazer apresentações.

E por falar no Fortes, ele está com um blog novo: (in)conclusoes. Peço novamente ao Chapado, colega de blog e detentor dos super poderes de administrador, que atualize a referência ao lado.

28 fevereiro 2008

Veja

O dossiê de Luis Nassif sobre a Veja está dando o que falar. Finalmente, um jornalista isento, que não pode ser acusado de petista (é eleitor de Serra) resolve derrubar a máscara do jornalismo de esgoto (conforme o termo cunhado por Weiss) que os panfleto fascistóide vem praticando. O pessoal da revista Veja não é flor que se cheire. São vingativos e inescrupulosos. Nassif, atirando-se a esta empreitada está mesmo dando a cara à tapa, tomara que outros sigam seu exemplo e o apóiem para que Veja não se anime em tentar "virar o jogo".


Obs: os links neste post são para ensinar as ferramentas de busca a mostrar o que interessa para que procura informações sobre a Veja.

16 fevereiro 2008

Campanha?

No iGoogle padrão de hoje:

17 janeiro 2008

Felicidade a um e-mail de você


Não vejo problema algum em receber estas mensagens, sempre me divirto com spam:


E agora, algo completamente diferente, veja mais linha do trem.

10 janeiro 2008

Hugo Chavez enfia no fiofó do "Plano Colômbia" ianque


Vitória do diálogo, derrota do presidente Uribe (títere e narcotraficante):




Descoberto no blog do Alon.

06 janeiro 2008

Não avisaram: queda da CPMF pressiona as taxas de juros para cima

Isso e mais em artigo do KennedyAlencar, para o Folha Online: Lula usa pacote para frear alta dos juros.


Aliás, quer coisa mais patética do que o JN da Globo fazendo contorcionismo para demonizar toda e qualquer ação do governo para compensar o fim da CPMF


03 janeiro 2008

Fórum Social Mundial 2008 - Site modernoso

O pessoal do FSM deu mais uma dentro. Antenados com o potencial revolucionário das tecnologias colaborativas na Internet, o Fórum elaborou um site modernoso, com ferramentas colaborativas, para o pessoal organizar os eventos que acontecerão simultaneamente no dia 26 de janeiro: http://www.wsf2008.net