30 janeiro 2007

Fim da TV

Via Luis Nassif Online:
Fim da TV

A afirmação de Bill Gates em Davos, de que em cinco anos o atual modelo de televisão irá desaparecer, não mereceu o destaque devido. Com a Internet, modelos iniciais de sites de vídeo, como o Youtube, já ganharam o mundo. Com os provedores garantindo banda larga, os portais garantindo armazenamento e organização, e os provedores podendo livremente colocar conteúdo, quem há de resistir? O trabalho em rede venceu.
Seguem links para as declarações de Bill Gates e Chad Hurley. O criador do You Tube anúnciou, também em Davos, que o sítio pretende distribuir parte das receitas com os usuários colaboradores. Pequenos criadores de conteúdo que utilizam o sítio podem assim conseguir apoio financeiro a outros projetos. Qualquer individuo com acesso a uma filmadora pode se tornar um produtor e ser remunerado com isto.

Creio que a internet ainda tem muito potencial. Um mundo virtual, algo como um Second Life sério, poderia reduzir todas as distâncias a zero. Todas as interações comerciais/trabalhistas poderiam ser feitas neste mundo virtual, deixando o mundo real apenas para as interações humanas ditas "recreacionais". Seria mais ou menos o contrário do que temos hoje.

29 janeiro 2007

Crescimento econômico é a solução?

A revista Carta Capital desta semana traz a notícia A velocidade da lesma que trata do PAC, desaceleração da queda na taxa de juros e os reflexos na economia. Destaco o seguinte trecho da matéria (grifo meu):
No mundo, o desemprego também aumentou, como mostra o recém-divulgado relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o levantamento, 195,2 milhões de pessoas estavam fora do mercado profissional em 2006 – o resultado mais elevado da série iniciada na década de 90. Outra informação importante da entidade refere-se à inversão na relação entre trabalhadores do campo e no setor de serviços. Os que se dedicam à agricultura passaram a ser minoria.

A OIT mostra ainda que, sem uma expansão apropriada da economia, não é possível melhorar a renda das pessoas. O aumento do PIB mundial não foi suficiente para tirar da pobreza 1,37 bilhão de trabalhadores (47,4% do total), que são mal remunerados. São pessoas que ganham menos de 2 dólares por dia. Os dados são preocupantes ao revelarem que um PIB maior não tem sido suficiente para gerar mais postos de trabalho e melhorar a remuneração. Ou seja, é uma tragédia que já atinge muita gente e faz vítimas também no Brasil.

Interessante analisar este trecho quando tanto se critica o baixo crescimento do PIB brasileiro. A economia mundial segue em expansão, mas isto não é suficiente para gerar empregos e aumentar a renda dos trabalhadores. Aqui ainda querem nos enfiar goela abaixo a idéia de que basta crescer para acabar com a pobreza.

O bolo já é grande o suficiente, mas ninguém aceita dividi-lo. Enquanto milhares morrem de fome, alguns poucos desfilam em seus Porsche Cayenne. Crescer para produzir mais bens totalmente inúteis apenas para justificar a constante busca por dinheiro. Basta redirecionar os esforços produtivos, consumir o necessário de maneira racional.

Mesmo com o crescimento considerado pífio as boas políticas sociais do governo Lula foram capazes de reduzir as desigualdades. Um esforço global neste sentido poderia reduzir as diferenças entre 1º e 3º mundo, extinguir a fome, suprir as necessidades básicas de todos os seres humanos. Mas enquanto alguns consideram mais importante ter um Porsche do que alimentar seu vizinho nada poderá ser feito.

25 janeiro 2007

The Perry Bible Fellowship

Dois exemplos do que se encontra no sítio de tirinhas de Nicholas Gurewitch:



Editado para caber no blogger, clique nas imagens caso a leitura esteja dificil. Elton, acho que descobri porque vc nunca publicou tirinhas.

24 janeiro 2007

Doações jornalísticas

Publicado no Blog do Mino reproduzo aqui parcialmente:

"Informações prestadas pelo doador FOLHA DA MANHÃ S/A CPF/CNPJ 60579703000148 para o(s) candidato(s) abaixo:
Valor total das receitas R$ 42.354,30
Candidato Partido - UF Data Valor Tipo
PAULO RENATO COSTA SOUZA PSDB - SP 27/10/2006 42.354,30 Recursos de pessoas jurídicas"

...

Por que a Folha fez doação a um candidato?
Por que a doação foi feita às vésperas do segundo turno, quando a campanha para deputado federal (caso de Paulo Renato) já havia sido decidida quatro semanas antes?
Quais os critérios utilizados pelo jornal na escolha de Paulo Renato?
Que garantias o jornal, tão cioso de sua independência e de sua linha pluralista, dá de que a doação não influencia o conteúdo editorial?

23 janeiro 2007

Momento de paternal orgulho

Eu procurava um link para explicar para o Bruno porque eu chamei o Marcelo Madureira de mulherzinha do Diogro Mainardi. Havia uma página aberta com uma foto do Mainardi quando apareceu meu filho de 1 ano e 8 meses. "Moço?", ele disse. E eu respondi: "Não, isso é um imbecil". E não é que ele aprendeu direitinho? Troquei de página, e ele disse: "Cadê o imbecil?" Esse menino vai longe.

19 janeiro 2007

Tortura, um meio válido de obter provas nos EUA

via Folha Online, destaques feitos por mim para os preguiçosos ou desatenciosos:
Pentágono aceitará depoimentos obtidos sob coação em Guantánamo

da Folha Online

O Pentágono decidiu nesta quinta-feira que os juízes do Exército americano poderão decidir com liberdade que provas serão aceitas contra suspeitos de terrorismo que enfrentam julgamentos nos Estados Unidos, de acordo com um novo sistema de comissões em cortes militares divulgado hoje. Poderão ser apresentados, inclusive, depoimentos obtidos por meio de "coação" ou especulação.

No novo "Manual para Comissões Militares", o Departamento de Defesa dos EUA estabeleceu regras e procedimentos requeridos para implementar a lei nas comissões habilitadas em 2006. A finalização do manual é um passo em direção ao começo dos julgamentos, que são esperados para meados de 2007.

O guia deixa em aberto parâmetros a serem seguidos no que tange à provas baseadas em especulações, em informações ouvidas por terceiros e em dados secretos. Ao contrário: os juízes conseguiram autoridade para determinar por si mesmos o que é apropriado para os julgamentos.

Julgamento justo?

O Pentágono afirmou que as novas regras estão de acordo com a Convenção de Genebra quanto ao tratamento de prisioneiros e julgamentos.

"O objetivo de todos os envolvidos na redação do manual foi o de desenhar um sistema de acordo com nossas responsabilidades sob o Artigo 3 (da Convenção de Genebra) e que ofereça julgamentos justos", disse o general Thomas Hemingway.

"Estou satisfeito com estas regras, que oferecem uma base para conduzir um julgamento justo", completou.

Em 2006, o presidente dos EUA, George W. Bush, transformou em lei uma medida que criou o sistema de comissões militares para julgar suspeitos de terrorismo. À época, o presidente afirmou que a medida ajudaria a trazer para a Justiça alguns dos responsáveis pelo ataque de 11 de setembro de 2001 contra as torres do World Trade Center em Nova York.

Regras

De acordo com as novas regras, os réus terão acesso a todas as provas apresentadas contra eles, incluindo depoimentos de testemunhas que apenas "ouviram falar" a respeito de suas atividades e informações consideradas confidenciais.

Enquanto isso, os juízes terão ampla liberdade para decidir o que será aceito no julgamento.

Ao invés de estabelecer regras mínimas para as provas a serem usadas nas comissões, o manual exige que juízes avaliam as provas caso a caso.

Confissões feitas mediante coação serão avaliadas individualmente para que os juízes avaliem sua admissão em julgamento. Os depoimentos obtidos por meio de tortura, no entanto, foram excluídos, de acordo com uma lei americana de 2005 que impede tratamento ou punição "cruel, desumano ou degradante".

Casos anteriores à promulgação desta lei poderão ser usados se assim estabelecido pelos juízes militares.

Guantánamo

Promotores militares deverão apresentar à Justiça casos contra 60 a 80 dos 395 prisioneiros da prisão de Guantánamo (em Cuba), de acordo com oficiais da Defesa.

Segundo Hemingway, não há provas suficientes para julgar o restante dos presos, que estão detidos indefinidamente.


Os Estados Unidos enfrentam críticas de todo o mundo por sua contínua detenção de prisioneiros em Guantánamo --muitos dos quais estão presos há anos sem que fossem apresentadas acusações formais contra eles.

Oficiais americanos argumentam que os presos são uma ameaça para os EUA e poderiam voltar para campos de batalha no Afeganistão ou no Iraque se liberados.

Entre os presos a serem julgados em breve estão Khalid Sheikh Mohammed e Ramzi Binalshibh, acusados de planejarem e participarem dos atentados de 11 de setembro.


Ou seja, 80 destes presos serão julgados por tribunais militares com provas obtidas por meio de coação, especulação ou torturas anteriores a 2005. Os outros 315 continuam presos, sem acusação formal, e sem que hajam provas de seus supostos crimes. Não foram obtidas provas nem com coação, especulação ou tortura anterior a 2005.

Só não sei muito bem quando uma coação começa a ser considerada tortura.

18 janeiro 2007

Arautos da ética



Da Terra Magazine:

Estatal doou R$ 500 mil a instituto de FHC
O Instituto Fernando Henrique Cardoso, ONG criada pelo ex-presidente tucano com a ajuda de grandes empresários, foi contemplado no ano passado com uma doação de R$ 500 mil de uma empresa estatal do governo paulista, que no período 2003-2006 foi comandado por Geraldo Alckmin (PSDB) e Cláudio Lembo (PFL).

O dinheiro saiu da Sabesp - então presidida por outro tucano, Dalmo Nogueira Filho - e foi direcionado para um projeto de conservação e digitalização do acervo do instituto, conhecido pela sigla iFHC.
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é uma das sete empresas que, até o final do ano passado, haviam doado R$ 2.095.000,00 para o projeto de preservação e digitalização do acervo do iFHC, com incentivos fiscais da chamada Lei Rouanet - as contribuições podem ser descontadas do Imposto de Renda.

O acervo é formado por livros, fotos e obras de arte de FHC e também de sua mulher, Ruth Cardoso. Reúne não apenas itens coletados durante a passagem do tucano pela Presidência, mas também da época em que era professor e um dos líderes da oposição ao regime militar. Entre os objetos em processo de catalogação estão os presentes que FHC recebeu durante seu governo - vasos, quadros, tapetes e até capacetes de pilotos de Fórmula 1.

O projeto de preservação e digitalização do acervo está orçado em mais de R$ 8 milhões - valor que equivale a cinco vezes o orçamento anual da Biblioteca Mário de Andrade, a maior de São Paulo, com mais de 3,2 milhões de itens.

O site do iFHC afirma que a digitalização dos documentos será feita com softwares e equipamentos cedidos pela IBM e pela Sun Microsystems do Brasil, mas não faz referência à Sabesp e aos outros patrocinadores, nem detalha como serão aplicados os R$ 2 milhões já recebidos. Segundo o instituto, os logotipos dos demais doadores serão associados ao projeto quando os recursos começarem a ser gastos (leia aqui).

O Instituto Fernando Henrique Cardoso é uma espécie de "organização ex-governamental" - reúne em seu conselho deliberativo diversas estrelas dos dois mandatos presidenciais tucanos, entre eles ex-ministros como Pedro Malan (Fazenda), Luiz Carlos Bresser-Pereira (Administração) e Celso Lafer (Relações Exteriores e Desenvolvimento).

A entidade tem como fonte de inspiração as fundações mantidas por ex-presidentes norte-americanos. Mas as semelhanças são limitadas. A ONG do ex-presidente Bill Clinton, por exemplo, atua na prática: apóia e implementa programas de combate à aids, de redução do custo de medicamentos e de controle do aquecimento global, entre outros. Também administra uma biblioteca pública no Estado de Arkansas que recebe cerca de 300 mil visitantes por ano.

Já o iFHC afirma ter dois objetivos básicos: o primeiro é a preservação do próprio acervo do ex-presidente e de sua mulher; o segundo é a promoção de debates e seminários - que são restritos a convidados. O site do instituto na internet destaca que "o iFHC, entidade privada, não está aberto à visitação pública".

O site também anuncia que parte do acervo será aberto ao público quando for concluído seu processo de catalogação e digitalização. Não há informações sobre a possibilidade de pesquisar os itens mais interessantes, do ponto de vista histórico e jornalístico: as gravações e anotações que o ex-presidente fez, durante seus oito anos de governo, sobre temas polêmicos como privatizações e reeleição.

O auxílio estatal ao instituto, via Sabesp, foge à regra: o iFHC nasceu e é mantido graças a contribuições privadas. Quando inaugurado, em 2004, tinha R$ 10 milhões em caixa. O tucano começou a pedir doações a empresários quando ainda era presidente.

Em um jantar no Palácio da Alvorada, em 2002, FHC expôs os planos de sua futura ONG a convidados como Emílio Odebrecht (grupo Odebrecht), Lázaro Brandão (Bradesco), Olavo Setubal (Itaú), Benjamin Steinbruch (CSN), Pedro Piva (Klabin) e David Feffer (Suzano). Na época, o colunista Elio Gaspari criticou o fato de a coleta de fundos ser feita entre representantes de empresas financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ou contempladas no processo de privatização.

Já as relações da Sabesp com políticos do PSDB não constituem propriamente uma novidade. No ano passado, reportagens da Folha de S.Paulo revelaram que a estatal patrocinou uma edição da revista Ch'an Tao, do acupunturista do então candidato à Presidência Geraldo Alckmin - o tucano foi assunto de capa e apareceu em 9 das 48 páginas da publicação.

A estatal também destinou R$ 1 milhão de sua verba publicitária para uma editora e um programa de TV do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB). O Ministério Público abriu uma investigação sobre o eventual uso de empresas do Estado para beneficiar aliados de Alckmin na Assembléia Legislativa.

Terra Magazine procurou ontem a Sabesp e FHC, em busca de esclarecimentos sobre a doação de R$ 500 mil. Não houve resposta da estatal. A assessoria do iFHC informou apenas que o ex-presidente não se encontrava no local.

Além da Sabesp, da Sun e da IBM, os outros patrocinadores do projeto de digitalização do iFHC são as empresas Philco Participações (R$ 600 mil), Arosuco Aromas e Sucos (do grupo Ambev, R$ 600 mil), Mineração Serra Grande (do grupo Anglo-American, R$ 200 mil), Norsa Refrigerantes (representante da Coca-Cola no Nordeste, R$ 140 mil), Rio Bravo Investimentos (R$ 30 mil) e BES Investimentos do Brasil (R$ 25 mil).

A Rio Bravo Investimentos foi fundada e é dirigida por Gustavo Franco, que presidiu o Banco Central nos anos FHC. O BES Investimentos faz parte do grupo português Espírito Santo, cujo representante no Brasil, Ricardo Espírito Santo, teve seu nome relacionado ao escândalo do mensalão por supostas relações com o publicitário Marcos Valério. Em 2005, o banqueiro foi acompanhado por Valério a uma reunião com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Em 2002, Ricardo Espírito Santo também estava no jantar do Palácio da Alvorada em que FHC pediu contribuições para a criação de sua ONG.
Grifo e a escolha da charge do Angeli são de minha responsabilidade.

17 janeiro 2007

A Casa e o google

Hoje estava brincando com o Site Meter e resolvi publicar as últimas dez buscas digitadas no google para cair nesta Casa de Tolerância:
lavadora de roupas da ge e problemas
falciforme é a mesma coisa que cançer? - meu predileto, realmente perdido
estandartes medievais
epoca opus dei bastidores
piores lavadoras de roupa
luis nassif - elite privilegiada
chupando blog
livros grátis
livros gratis
assistência técnica lavadora ge

Acho que vou abrir uma empresa de consertar lavadoras de roupa que dê livros grátis de brinde.

Outra coisa, acho que agora vamos ganhar aquela camiseta. Pela empolgação devem achar que nosso blog é sério e respeitado.

Acidente nas obras do Metrô

Lembro que estava em São Paulo fazendo um treinamento durante a última greve dos metroviários. O objetivo da categoria era iniciar uma discussão a respeito das PPPs, modalidade que estava sendo utilizada na construção da linha 4. A paralização de um dia foi duramente criticada pela mídia local e o sindicato está sendo processado, em R$2 milhões, pelo estado por danos morais à imagem da Cia do Metrô. A PPP continuou sem alterações, ignorando revindicações dos metroviários e acidentes ocorridos nas obras.

Acidentes não podem ocorrer em obras deste porte. Tudo tem que ser calculado com uma boa margem de segurança. Fenômenos naturais tem que ser considerados, não é novidade alguma que chove bastante em São Paulo. Usar isto como desculpa é rasgar o CREA.

Recomendo o acesso ao sitio do Sindicato dos Metroviários, onde é possível ler entrevistas com técnicos e detalhes sobre todos os acidentes ocorridos nas obras da linha 4.

E agora, quem é que paga pelos danos morais à imagem da Cia do Metrô?

16 janeiro 2007

Iraq Body Count

Sitio que tenta manter uma contagem de civis mortos no Iraque. É possível visualizar uma base de dados de eventos ou uma lista em pdf com o nome das vítimas.

Notei uma certa divergência nos números, por exemplo, civis mortos em 2006:
Governo Iraquiano - 12.000
Iraq Body Count - 24.500
ONU - 34.500