04 maio 2006

Salve, Evo Morales! Parabéns ao povo boliviano!

"Para nosotros, la patria es la America" - Simon Bolivar.

"É mentira! Digo aos jornalistas: não nos confrontem, nossos países são irmãos" - Evo Morales, no programa Roda-Viva, sobre a campanha odiosa da imprensa brasileira.

Evo Morales cumpre suas promessas de campanha e edita decreto que diz, mais ou menos, assim: "Que se cumpra a lei".

É hora de Lula manter a sobriedade e não se deixar atiçar pelo "Pega, cachorro!" que os poderosos, neoliberais, inimigos do Estado e do povo, vomitam. Por enquanto, Lula tem reagido bem. Espero que saiba usar de sua posição para evitar que a mídia golpista de sempre coloque povo contra povo, pois esta mídia já manobra, propagandeia, defende com toda a violência os interesses dos ricos, especialmente os interesses dos ricos dos países ricos. Como sempre usam de muita propaganda e mentira. Estão de cabelos em pé com o ato anti-neoliberal dos indígenas pobres da Bolívia, que botaram para correr o ex-presidente Sanchez de Losada (tão serviçal do Estados Unidos que não conseguia falar em espanhol sem sotaque de estadunidense, e por isso chamado de "El Gringo"), que botaram para correr o vice Mesa e agora, no poder com Morales, agem segundo os interesses do povo.

A cachorra-de-guarda Condoleeza Rice (ou, como diria o Chávez, Condolências Rice) já mostrou os dentes e rosnou, como costuma fazer sempre que um Estado em seu quital resolve ter a petulância de colocar os interesses públicos acima dos interesse privados.

Aliás, tenho tentado entender com mais precisão os interesses dos Estados Unidos nesta história toda. Sei que o gasoduto Brasil-Bolívia foi construido por pressão deles. Em 1997, quando foi construído, não havia demanda para o gás, tanto que o governo do Paraná - que então era pró FHC - comprou a usina termoelétrica de Araucária, mesmo o Paraná tendo energia elétrica para dar e vender (literalmente), apenas para criar demanda artificial para o gás. Esta é a mesma usina cujo pagamento foi contestado na justiça pelo, agora, governador Requião, porque ela, em resumo, é inútil, cara e não funciona(PDF).

É revoltante ver, convertidos em "neonacionalistas" e "neopatriotas", a tucanalha entreguista e seus comparsas, que queriam, mas foram impedidos pelas esquerdas e pelo povo, vender a Petrobrás (ou melhor, Petrobrax, como queriam, para que ninguém se lembrasse que um dia ela foi do Brasil) para o primeiro estrangeiro que oferecesse uma banana por ela.

Confesso que estou apreensivo quanto ao desenrolar desta estória. Temo que a direita consiga usar de violência contra a decisão soberana do povo da Bolívia, afinal, já vimos isto acontecer antes, contra o Jango, contra o Allende e tantos outros. Espero que o Brasil esteja maduro o suficiente para não se deixar manipular pela Reação e evitar que o empurrem para uma nova "Guerra do Paraguai".

É importante constatar que a esperança de que tudo acabe bem só existe porque o presidente é o Lula. Se fosse o coroinha-canalha-facista-que-gosta-de-tomar-dedada do Alckmin, ou o mais-egocêntrico-e-orgulhoso-capacho-do-mundo FHC, as tropas já estariam se movimentando, mais uma vez, a serviço do império colonial estadunidense.

Que os deuses americanos nos protejam.

2 comentários:

Scheissmann disse...

usina termelétrica no brasil realmente é um absurdo, enquanto o mundo clama por fontes de energia renováveis, constroem nessa época uma batelada de termelétricas ao invés de melhorar a distribuição (foi na mesma época do apagão e da construção do gasoduto). quanto a demanda de gás natural, não sei se ela foi "forjada", mas gás natural é muito mais barato que o glp e muita indústria o utiliza para alimentar caldeiras e gerar energia para consumo próprio, já que energia elétrica as vezers falta e se torna cada dia mais caro.

Elton disse...

Sheiss,
Hoje em dia há demanda, mas o contrato foi feito em 1996. E o pior: o Brasil pagou, segundo o contrato, pelo gás que "poderia ser usado" e não pelo gás efetivamente consumido. Nestas condições, não restou ao governo muita alternativa que não incentivar o consumo do gás já pago. O problema é, como você bem frisou, a dependência criada por uma fonte de energia não renovável.
E lembrando que, antes da Petrobrás se instalar na Bolivia, o governo brasileiro comprava o gás de empresas como a Enron e Exxon, e o povo da Bolívia vendo seu patrimônio natural virar fumaça...